terça-feira, 27 de maio de 2008

Licença poética!! ( sem pé, nem...)

Sempre achei muito chique ter licença poética. Deveria ser um papel com um selo dourado escrito: licença poética n°3721897321, concedida a Camila Raquel Dipp, no ano de 1996 que prevê sua total liberdade de expressão, utilização de palavras que não existem e uso de neologismos.
Porque os poetas precisam desta tal licença e como eu pobre mortal membro não integrante da academia brasileira de letras consigo uma? Pra mim os poetas não deveriam ter esta tal licença e deles deveria ser cobrado o uso correto e assíduo de palavras e componentes da língua brasileira.
Língua brasileira por que só nos a falamos do jeito que falamos, no resto do mundo é português, aqui é brasileiro, aqui nos colocamos nossa própria carga de emoção de miscigenação de raças, de suor do povo e de tempero baiano.
Nunca entendi porque os poetas podem inventar uma palavra e eu não, porque eles podem escrever do jeito que quiserem, podem usar e abusar da língua e nós que somos o povo e a maior forma de expressão do dialeto não podemos?
Já dizia um velho novo professor meu: “A língua é a maior expressão da cultura de um povo”, porém, o povo não tem domínio cultural e paterno da língua. Não têm licença poética.
O povo deixou de ser paterno quando colocou no “brasileiro” coisas estranhas como OK, yes, no, dont, free, o próprio cidadão brasileiro largou por ai a sua língua e nem deu bola, deixou que a alterassem que a modificassem, mas tem gente que ainda diz que quando dominarem a nossa língua estarão a um passo de nossa dominação, quando deixarmos pra lá nossa cultura estaremos muito próximos de deixarmos nosso país para trás. Tenho raiva dos poetas, pois eles tem a tal licença, eles que colocam estas coisas aqui.
O povo que é o maior dono de tudo que existe neste Brasil não pode se quer inventar uma nova palavra, quanto mais uma nova expressão e quando uma coisa do gênero surge da-se o nome de gíria.
Se um poeta fala: “descomia” isto vira um verbo e quer dizer, vomitar.
Se uma Camila fala: “desinteligente” ela é uma anta que não sabe que o contrário de inteligente é burro.
Dos poetas se espera o máximo grau de cultura e se obtém o mínimo fervor por manter a língua do jeito que é. Deles se espera a exaltação a cultura do país e deles se obtém a exasperação e difamação das atitudes do povo.
Do povo, se esperam de tudo menos inteligência, autonomia e cultura. Queria eu que o povo fosse o dono de sua própria cultura, e não vitima do próprio povo que se chama de outro nome para parecer melhor, para ter licença poética e para fazer cada vez menos poesia.

beijos,

6 resposta(s):

Camila disse...

poetas = qualquer escritor que use da tal licença!

Anônimo disse...

Pois é eu mudei de hostee por isso tava assim mas agora acho que estaciono nesse hahahaha!

Eu tbem demorei um tempão pra te achar novamente tinha perdido tudo rsrsrs

Antônio Dutra Jr. disse...

Tu espera demais dos poetas, Camila... Deixe-os (ou deixe-nos, porque também me considero um, ainda que de baixo escalão) licencear à vontade, que o povo é poesia por si só.

Beijo!

Gabriela Cristina M. Ehlers disse...

Vou te dar uma licença poética de presente de aniversário ;D

O Antagonista disse...

Concordo e não concordo com você... eu também pensava assim e era radicalmente contra estrangeirismo e "licenças poéticas"... mas aprendi e entendi que a língua de um país é viva... e no nosso caso, Brasil, como não somos um povo, mas sim uma mistura... essa língua tende a ser ainda mais viva do que as outras... se não, vejamos: nossa língua, portuguesa de origem em sua maioria, assim como a população (comprovado em pesquisas com DNA), tem inúmeras palavras, verbetes e expressões derivadas de dialetos indígenas e africanos (assim como nossa população). Também temos, pelo menos aqui no nordeste, expressões oriundas principalmente do espanhol...
Isso tudo mostra a flexibilidade de nosso idioma, isso é ruim, mas é o que temos... porém, quanto à licença poética, confesso que em alguns casos, há mesmo um enorme exagero no uso desse recurso...e acredito que na maioria das vezes não foi licença coisa nenhuma, foi mesmo erro... poetas também erram!!! hahaha...

Gostei da reflexão do texto, muito boa!
Abraços!

Wanderson "Wans" disse...

Estrangeirismos eu acho totalmente desnecessário, até porque mal sabemos falar/escrever português direito. Quem sabe se um dia passarmos por esta primeira fase?
Agora, "brincar" com nossa língua eu não acho ruim não. Algumas licenças poéticas são muito interessantes e principalmente criativas.

Beijão.

 


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