quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ilusão

Casada a 20 anos Maria era uma pessoa viciada. Quando chegava em qualquer lugar as pessoas falavam do seu vicio, tentavam alertar Maria mas ela insistia.
- Gente eu não sou viciada, só as vezes, todo dia, no café, almoço e jantar eu tomo um pouco nada de mais.
Ninguém acreditava que Maria estivesse assim, gostavam muito dela, então um dia no trabalho uma amiga de Maria lhe chamou de canto e disse:
- Maria pare de fingir, todos sabemos do seu mal, está aqui o cartão de uma clínica vai lá Maria eles vão te ajudar.
Ela olhou para o cartão com descrédito e o guardou no bolso agradecendo pela preocupação, mas ela não tinha nada, não precisava se preocupar.
Chegou em casa e ouviu um barulho estranho vindo do quarto foi até lá espiou pela porta e viu o marido e a empregada, meu Deus ela pensou o que eu faço? Correu pra cozinha pegou o frasco marrom e tomou tudo de um gole só, depois pensou consigo mesma.
...Nossa que faxina braba estão fazendo no meu quarto, estão desmontando até a cama...
No outro dia Maria chegou em casa mais cedo, chamou pelo marido ninguém respondeu , pegou o telefone então para ligar para o celular dele pois esquecera de comprar pão.Ao colocar o fone no ouvido ela escutou:
- Sim minha gostosa eu te encontro hoje lá, no mesmo horário, agora deixa eu desligar que a idiota da mulher chegou, tchau “benzinhoooo” guti guti.
Canalha, safado, idiota ela pensou, correu pra cozinha e tomou dois frascos do remédio quando estava mais calma pensou.
... Meu marido me acha gostosa, ligou pra mim marcando um encontro, que lindooo...
No dia seguinte, Maria se atrasou para o trabalho seu marido já tinha saído e ela iria pegar um ônibus, quando ouviu um barulho na porta, o marido estava entrando carregando uma mulher loura e linda no colo, ele a jogou no sofá e a beijou de cima a baixo.
Maria ficou louca o marido estava com outra! Correu para a cozinha e procurou mais frascos do remédio, ela tinha esquecido de mandar manipular, meu Deus ela iria morrer, não, ele iria morrer. Ela pegou a faca de carne, respirou fundo, entrou na sala e esbravejando palavras de horror, cortou o cabelo dele. Ele ficou chocado, vestiu as calças rapidamente e disse:
-Maria você por aqui?
- Sim, afinal é a minha casa.
- Já tomou o remédio?
- Não. Nunca mais vou tomar.
Daquele dia em diante Maria era uma mulher livre e solteira, porém triste, como ele pôde enganá-la durante tanto tempo, ela agora tomava mais remédios do que nunca, além do habitual frasco marrom, agora tinha o rosa, o vermelho, dois alaranjados, e um preto.
Ela então resolveu procurar o tal médico. Chegou a porta da clínica, pensou em dar meia volta, mas não quis passar vergonha já que agora muitas pessoas olhavam pra ela. Então ela entrou e pediu pelo Dr. Melhor Amigo e a secretária disse que ele já a esperava. Que eficiência.
Entrando no consultório ela viu um sofá rasgado, o Dr. estava de roupão encardido sentado numa poltrona rasgada tomando café.
-Sente-se Maria, eu sei por que veio aqui, seu marido, não chore Maria, senta aqui no sofá, isso assim você quer café, aa não quer? Tudo bem, olha você sabe porque me procurou.
Ela sacudiu a cabeça em afirmação.
-Então Maria você tem um vicio muito comum, você é viciada em propanoil-ilusitol-pantomicinina-dietilpirol do grupo alfa.
- O que?
- Ilusão.
- Não pode ser, como Doutor, como? Eu nunca me iludi sempre soube quem ele era, eu sabia, eu já sabia, eu tinha que saber né? Todo mundo me disse, eu vi, eu senti, sempre desconfiei, ele nunca me enganou.
- Então porque você tomava diariamente varias doses de propanoil-ilusitol?
- Por hábito.
- Maria, Maria.. será uma cura dolorosa, mas você consegue. Quer café? Tudo bem, eu sei. Não chora Maria, pelo menos existe cura, daqui um ano, após 12 doses diárias dos remédios que eu vou receitar você estará curada.
-Mas doze doses? Só vou trocar meu vicio por outro, não vai adiantar.
- Bom estes remédios que vou te receitar não tem contra indicações você consegue, deixe-me me ver o que você tem tomado ultimamente.
- Eu trouxe uma lista.
Então o Dr. Melhor leu em voz alta a lista:
- Autodipropirolpiedade, Choromingol 20mg, Desilugorol-dietilico, Licor de cacau Xavier, Entristecedor100, Desoxiribosuicidol3, Depressivo-antifelixidadis 90mg, e continua tomando o propanil-ilusitol, um coquetel mortal. Bom eu vou te receitar outros remédios e daqui 12 meses após doze doses diárias desses remédios você volta a minha sala me contar o que houve.
Maria saiu da clinica animada, chegou na farmácia e pediu.
- Oi, eu quero encomendar doze frascos de alguns remédios.
A moça da farmácia pediu para que ela dissesse o nome genérico dos remédios.
Maria então falou:
- Auto-dietil-estima, Risopropanil-feliz-dietil-alegrus, Antisuicidante, Antiilusitol69, Difestil-2b, e propanato de amor.
Doze meses depois... No consultório do Dr. Melhor.
- Oi Dr. Este é o José, meu novo namorado, ele é um amor, nossa, tudo de bom, estou tão feliz.
- Parabéns Maria continue assim...
5 anos depois... No consultório do Dr. Melhor.
- Doutor voltei a tomar o propanoil-ilusitol.

- Maria você não tem jeito mesmo....


The end.

6 resposta(s):

ღ Ellen ღ Coelho ღ disse...

Não sei se consegui comentar, se consegui, acho que enviei mais de um comentário!
Mas amei o blog, já tinha dito isso no outro, mas não sei se ele chegou!
Beijinhos Camila e obrigada por ter visitado o meu blog!

Antônio Dutra Jr. disse...

É...o que não tem remédio, remediado está. Só o tempo é capaz de trazer um amor pra Maria, de modo que ela não precise mais tomar nenhum remédio, bom ou ruim.
Mas, para isso, ela precisa de um simples comprimidinho, a Pacienciolina, que falta para muitas pessoas que se precipitam e se machucam facilmente.

Como sempre, muito bom de ler.

Beijão, bom findi!

PS: Tem algo pra ti lá no meu blog. ;)

Srta Butterfly disse...

Cá que histótia heim... Mas sabe o que é pior?? Existem muitas Marias por ai, viu...E isso é deprimente, precisamos encontrar a felicidade onde quer que ela esteja sem precisar de mais nada por isso...

Beijos no coração...

Marx disse...

Aff... Já tomei propanoil-ilusitol. Entendo a Maria. É uma excelente droga, literalmente. Dói na alma.
Diferente dela eu tive e tomei jeito. Mas que ainda dá vontade de tomar, ô se dá.
Bjo Lindinha. Virei fã.

Arne Balbinotti disse...

Adorei a história, pensei que ela teria um final feliz, mas como o médico mesmo disse: Ela não tinha jeito mesmo...
E isso acontece com muitos e muitos de nós, já aconteceu comigo, com você... e tantos outros.
Mesmo assim, devemos evitar esse tipo de droga e consumir apenas doses diárias de carinho, amor, afeto, atenção e respeito...
Só não sei direito aonde encontrar, mas estou procurando.
Beijos.

Arne Balbinotti disse...

Esqueci... eu renasci:

http://diariopessoaldeumanjosemasas.blogspot.com/

 


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