Episódio I - Plano alfa
Era uma tarde chuvosa, nas ruas as pessoas corriam para se abrigar do vento, do frio e da água que teimava em molhar as barras das calças. Marcos estava tipicamente sentado na mesma mesa de canto na famosa cafeteria La Fontene, ele mexia com vagareza seu café que fumegava de quente, com a mão que estava livre ele folheava o jornal de ontem, afinal um homem como ele tinha de estar bem informado.
Antes de um vento mais forte bater a porta da cafeteria e tirar um gritinho da mulher do balcão, Marcos levantou levemente a cabeça e viu adentrar no pequeno recanto uma mulher que mexeu com seus instintos. Loura, olhos verdes e pestanas longas, ela se sentou em uma mesa próxima e pediu o de sempre. Ao ouvir o pedido Marcos ficou intrigado como aquela mulher que ele nunca vira antes podia pedir o de sempre, como ele nunca havia reparado em uma mulher tão bela. Talvez fosse por causa do adiantado da hora. Ou porque Marcos não conseguia pensar em outra coisa que não fosse seu trabalho.
Enquanto Marcos divagava sobre a tal mulher misteriosa, alguém em um local muito longe dali, planejava como seria seu próximo passo.
Josué, sentado em sua pequena cadeira de palha na frente de uma casa pobre de madeira velha, estava com os olhos vidrados naquilo que ele chamava de plano alfa, seus olhos negros como a noite iam de um lado para o outro da folha amassada e amarela que tinha sobre o colo, do lado esquerdo dos seus pés deitado no chão um cachorro muito grande e fétido roncava tranquilamente, enquanto seu dono ardilosamente planeja como iria se tornar Marcos um importante homem de negócios.
Marcos foi para casa com a lembrança da mulher em sua cabeça, ele jamais a vira antes, jamais a notará naquele local, mas ela realmente não era alguém que passa despercebido. A noite caia com um ar de calmaria, na ruas as pessoas passeavam e falavam alegremente, nem mesmo temporal da tarde e a fina chuva de novembro espantavam os namorados dos bares, e com essa cena melancólica e gélida de fim de noite, que ele entrou em seu carro.
Guiou-o até uma mansão de frente para o mar, que estava agitado como sua mente. Costumeiramente entrou pela porta dos fundos, acendeu a luz da copa brilhante e limpa, olhou em cima da pia e viu o recado de Glória sua empregada, ela havia saído pois era seu dia de folga. Ele subiu os degraus no escuro, entrou em seu quarto e deitou-se na cama.
Eram seis da manhã quando Marcos acordou, desceu tomou café e correu para a empresa seria mais um dia duro de trabalho. A tarde ele cancelou uma reunião so para ir ver a moça da cafeteria, chegou lá e logo pediu ao garçom como era o nome da mulher que mexia com seus instintos. Ele respondeu que era Cíntia Delore, que ela morava sozinha em um apartamento na quinta avenida, seu pai estava doente em um asilo e sua mãe havia falecido há alguns anos.
Naquela tarde ela não apareceu e Marcos frustrado foi embora. Durante uma semana o quadro se repetiu e cada vez mais ele pensava nela, pensava como seria deitar com ela, beija-la, abraça-la. Até que desistiu.
Era sábado e Cíntia mau podia esperar o que iria acontecer, havia marcado um encontro com o encantador Josué, um homem muito poderoso da cidade. As 20 horas em ponto ouviu a buzina do elegante carro dele, e desceu as pressas. Ela vestia um longo vestido preto, feito de cetim, no pescoço um colar feito de brilhantes que fazia par com uma delicada pulseira e um extravagante brinco cintilante.
Com as longas perna bem torneadas ela desceu com charme os últimos degraus e ofereceu a mão a Josué Barreto de Bourduart, a quem ela chamava carinhosamente de Art.
- Olá Art!
- Boa noite, Cint.
- Aonde vamos essa noite?
-Há um lugar muito especial
Ela sentiu um calor diferente nos olhos dele. Entrou no carro, e beijou-o na boca. Ele deslizou sua mão sobre o cetim, mas ela o impediu de avançar mais, era uma mulher que não se dava ao desfrute desse jeito. Então ele a beijou com mais amor, enlaçou-a pela cintura e sussurrou algumas palavras ao pé do ouvido.
- Você acha que está é a hora certa? – foram as ultimas palavras que ela proferiu antes do ultimo beijo.
Continua...
segunda-feira, 22 de outubro de 2007
O usurpador
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Pré- Estória
Carta públicada por Camila às 23:12
3 resposta(s):
Vem aqui que eu lasquei a língua, falei um monte!!
amiga, vc não escreveu hoje..snif snif!!!!
sumida, sumida, sumida!!!!
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