quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Como vamos falar de amor se ele não sobrevive mais?



O amor em seu mais profundo sentido, não está relacionado ao amor homem e mulher e sim ao amor universal, e este anda sumido de vista faz anos. O amor universal no sentido que eu tento transmitir é aquele que transforma a aura do mundo, é como se imaginássemos um manto da cor do amor envolvendo a terra e seus habitantes. E ele não existe mais, quem sabe se foi junto com a camada de ozônio, ou sucumbiu à poluição atmosférica, ou a ignorância do homem, a arrogância dos governos, a falência do povo, a falta de caráter do ladrão colarinho branco, a mãe que joga o filho da ponte, o condutor que atropela o pedestre e foge... etc..
Quando eu vejo na TV que uma mãe que mora em SP ou Rio levou seu filho junto para pegar água num poço, e o filho caiu sem querer no poço, e a mãe tentou salva-lo, e conseguiu. Eu vejo algo que não é capa de revista, puxa uma mãe salva o filho porque ama o filho dignamente, com um amor sobre-humano de tão humano. Instinto, salvação da espécie, os mais aptos sobrevivem, mãe-herói. Não há da muito nobre em salvar seu próprio filho, seu amor, sua vida. Não quero desmerecer está mãe logo a baixo vou relatar o porquê ela é mais nobre que muita gente, mas não por salvar o filho.
Por outro lado no local havia um fotógrafo, porque ele estava lá? Estava fazendo uma matéria sobre aquela região em que as pessoas vão buscar água numa garagem abandonada, que foi inundada pela chuva, e sabe-se lá o que esta dentro da garagem. Produtos químicos, ferros enferrujados, bichos mortos, de certeza aquela água não era das melhores, e a mãe e o seu filho tinham que ir lá pegar aquela água para tomar e não morrer de sede e de fome, a água caso alguém não sabia, também serve para cozinhar arroz, feijão, lavar os alimentos e etc...
E o tal fotógrafo o que fez? Foi um homem nobre largou a câmera no chão, e se atirou no poço salvar o filho da senhora, ajudar a mãe desesperada que nem sabia nadar, ele pegou o filho pelo braço levou ate a beira do poço e o salvou, meu herói!!! Ai o homem correu chamou a Globo e o SBT e com orgulho falou, eu ajudei a salvar o filho dessa senhora, eu sou um herói. Seria mais digno e humano se tivesse feito isso, mas não o fez.
O fotografo continuou em seu lugar, fotografando a mãe que não sabia nadar salvar o filho, que caiu no poço. Sorte a dela e a do guri que um outro homem que ia passando resolveu ajudar, esse sim herói.
Porque a família tinha que pegar água num lugar tão horrível? Por que ali no meio da cidade, o povo da região tinha que tomar água suja? Onde a mãe e o menino moravam? Por que não tinha água na casa deles? Por que o fotografo não ajudou a mãe? Eu respondo, tomavam água daquele lugar porque em casa água não tinha. Não tinha por que a cidade foi mal planejada, e faltava saneamento no bairro da mãe e do filho. Eles tomavam água contaminada para não morrer, porque o governo não atende aos seus filhos. O fotografo queria ganhar dinheiro e não queria ser herói, porque hoje em dia os cavalheiros e heróis não têm espadas nem personalidade, tem carros do ano e dentes de ouro.
A mãe é sim uma heroína não por salvar o filho da morte naquele dia, mas por salva-lo todos os dias, da fome, da miséria, do abuso, da discriminação, por dar educação, casa, amor, abrigo, exemplo, por morar em um local que em nada ajuda para a sobrevivência, mas que ali é onde ela pode morar. Porque, o governo e a sociedade, a mídia e os ricos, só se importam com o que lhes convêm, o que não trás lucros e não trás votos pode sim viver as margens, não de um poço mas de um país.

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